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Lojas com História II

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3 Horas
Disponível : em datas selecionadas
Idade Mínima : 6+
Nº máximo de pessoas : 9
Breve Descrição

Lojas com História é uma distinção atribuída pela Câmara Municipal de Lisboa a um conjuntos de agentes do comércio tradicional da cidade, que na verdade são já parte da história de Lisboa.  A arquitetura e design dos espaços contribuem para a identidade destas lojas que se querem preservar, qual repositório de memórias a transmitir de geração em geração. É um testemunho que vem de longe, das raízes de Lisboa, cuja posição geográfica, às portas do Atlântico, fez dela, desde sempre, uma cidade comercial, ou não se chamasse, a sua secular porta de entrada, Praça do Comércio.

Ponto de encontro

Jardim do Príncipe Real (Google Map)

Hora de encontro09:45
Duração da visita10:00 - 13:00
Percurso
Príncipe Real - Bairro Alto - Chiado

1. Casa Achiles

António Lucas, o actual proprietário, foi outrora um cliente. Confrontado com a notícia do fecho da loja em 1998, entendeu logo que iria ser o fim deste lugar único, e que toda a abundância de matrizes e formas – em muitos casos únicas – se iria simplesmente perder. São cinco séculos de moldes dos grandes estilos europeus que iriam ser fundidos e transformados em metal bruto. Para nossa sorte, António Lucas decidiu que isso não podia acontecer. Hoje continuamos a ter acesso a uma oficina que, mais que suspensa num tempo fora do tempo, parece transportar-nos para um mundo aparte. Demorando, com paciência, o olhar varre a profusão de formas empilhadas e acumuladas em toda a volta, e vai descobrindo algo sempre novo. Sempre antigo, também. 

Em Lisboa, é a última casa comercial a fazer reprodução por molde em liga de cobre. Faz outros pequenos trabalhos, tudo o que se relacione com puxadores, maçanetas, acabamentos de mobiliário, chaves, fechaduras. É uma loja, mas é também uma oficina. É um museu vivo, é um pequeno oásis na colina do Príncipe Real, e é sem dúvida um lugar a visitar. 

2. Princípe Real Enxovais

Estamos em 1960. Um dia, ainda Vítor Castro era miúdo e vinha da escola de volta a casa, reparou que à porta da alfaiataria estava uma cruz e a notificação da morte do alfaiate. Comentou com a mãe e, pouco tempo depois, já Maria Cristina Castro escolhia a decoração para a sua nova loja, inspirando-se noutras lojas de Lisboa e entregando o trabalho a um marceneiro de sua confiança. Foi este quem imaginou a porta com grade de arabescos que tanto se evidencia no espaço. Vítor Castro recorda-o pelo curioso nome pelo qual era conhecido: era “o senhor poeta, da Rua dos Prazeres”. Mais tarde veio um pintor de igual mestria encarregar-se da composição floral e o debruado a folha d’ouro que frisa o espaço. 

Hoje é Vítor Castro quem cuida do espaço, apesar de ter feito uma carreira numa companhia aérea e não ter escolhido esta vocação. Entendeu que uma loja assim tinha de ser salvaguardada. Hoje são sobretudo os estrangeiros quem mais valoriza o que ali se oferece, apesar do quanto o Sr. Castro se empenhe em mostrar, com um lenço estirado e intensidade na voz:

– “Vejam, a perfeição não tem avesso…!”

A perfeição não tem avesso… A profunda filosofia da frase refere-se a uma evidência específica da arte do bem bordar, que o Sr. Vítor demonstra invertendo várias vezes o mesmo lenço, num efeito impressionante. É que é indistinguível o direito do avesso, a frente do verso. A seu lado, Gertrudes e Maria José são as bordadeiras responsáveis por boa parte das peças mais belas da loja. As restantes vêm de todos os pontos do país que resistem à extinção do bordado manual: Madeira, Viana do Castelo, as rendas de Bilros, as colchas de Castelo Branco, os lenços de namoro do Minho, e outras tradições regionais. Além desta volta a Portugal em maravilhas bordadas, é possível compor aqui enxovais de criança e de noiva, comprar camisas de noite, atoalhados, jogos de cama, capas de edredão, centros de mesa, guardanapos, linhos, faz-se restauros de vestidos e outras peças, aplica-se rendas, trabalhos personalizados, com ideias e pedidos do cliente, tanto a imitar serviços de mesa ou uma simbologia pessoal. Há quem goste de uma flor em particular, de uma ave, de uma borboleta… tudo aqui pode ser bordado à vontade do freguês. Vítor Castro orgulha-se particularmente de ter servido princesas e celebridades, e gosta muito de contar que até a Amália vinha, e que se punha a cantar para as bordadeiras. 

3. Solar Antiques

Um antiquário inserido num edifício do século 18 cuja loja já está nas mãos da terceira geração da mesma família – dedicada às artes decorativas. Mas a grande especialidade da casa é arte do azulejo: trata-se do maior e mais antigo antiquário especializado em azulejos originais – o maior espólio de Portugal e do Mundo.

Verónica Leitão é a atual proprietária e faz parte da terceira geração da família a abraçar o negócio que inclui um número infindável de azulejos portugueses dos séculos XV a XIX. Herdou a paixão dos azulejos do seu pai, Manuel Leitão, filho do fundador.

Mas não é apenas de azulejos que vive este negócio que nasceu em 1957 – encontramos porcelanas, colunas em talha, diversas peças avulso, portas, cerâmicas e peças de arte de Rafael Bordalo Pinheiro (Arte Nova), entre outros elementos decorativos.

Conseguimos encontrar aqui painéis originais como o Painel dos Saltimbancos do séc. 18 à venda por 8200€, azulejos Hispano-Árabes, da reconstrução de Lisboa depois do terramoto de 1755 entre outras peças raras que podem atingir preços muito elevados.  Colecionadores de azulejos procuram este espaço por peças únicas – tanto portugueses como estrangeiros. A história desta loja chegou ao jornal The New York Times como um dos 12 tesouros da Europa. Mas também se encontra à venda pequenos souvenirs por 10€, existem peças para todos os gostos e carteiras.

Um autêntico museu vivo de azulejos, cerâmica, artes decorativas numa transmissão de conhecimentos para gerações futuras ou para quem visita este espaço – uma arte e um património característico da identidade de Lisboa e da cultura do nosso país.

4. Encadernador Carlos Guerreiro

É o dos poucos artesãos dedicados ao ofício de encadernar, dourar e restaurar livros que ainda existem em Lisboa. Tanto particulares como instituições nacionais e internacionais procuram Carlos Guerreiro pela excelência do seu trabalho. Começou a aprender este ofício com 13 anos com o Mestre Diogo Noronha que o convidou a trabalhar na sua oficina. Trabalhou nos arquivos nacionais da Torre do Combo adquirindo uma grande experiência na arte de restauração e encadernação de livros antigos alguns deles centenários. Em 1981 comprou este espaço a Celestino Matias, outro encadernador de profissão que aqui trabalhava desde 1941. Herdou as máquinas e ferramentas de Celestino e quando todos pensavam que o negócio não teria futuro e que a sua profissão estava a acabar, Carlos Guerreiro resistiu ao tempo, à pressão imobiliária e manteve a arte de encadernar. Realiza vários tipos de trabalhos, dos mais simples aos mais complexos, douração a ouro fino, aplicação de peliculas e restauro de livros antigos ou raros.

 

Hoje esta loja é uma referência nacional e internacional na arte da restauração de livros, Carlos Guerreiro dá formação a novos aprendizes que queiram conhecer e exercer a arte da encadernação. Quem procura mais este tipo de serviço são escritores, alfarrabistas, mas também arquitetos, designers e chefes de cozinha para restaurar menus de restaurantes centenários de Lisboa. Uma das últimas lojas de encadernar e restauro de livros em Portugal e o último artesão em Lisboa dedicado ao ofício.

 

5. Caza Vellas Loreto

É a loja que há mais tempo se encontra no mesmo lugar, desde 1789. A abertura da loja coincidiu com o início da revolução Francesa, uma data marcante e um símbolo de resistência da Casa das Vellas do Loreto assistindo à iluminação pública e privada, a gás e a eletricidade.

Reinventou-se num difícil equilíbrio entre a tradição e a modernidade, a memória e aos novos usos e costumes relativos às velas. Os cheiros das essências e óleos e as tonalidades das cores variam conforme as estações do ano e do calendário litúrgico – quer seja para fins decorativos ou religiosos a vela ainda tem o seu lugar na simbologia das nossas crenças e das nossas ações.

A tocha metálica na fachada relembra as tochas originais que aqui se encontravam no final do século 18 para iluminar a loja durante a noite. Originalmente a loja ocupava toda a fachada do edifício, mas foi reduzida para metade no final do século 19 para outra loja ocupar parte do espaço. Já no século 20, em 1967 a loja e a oficina foram modernizadas pelo arquitecto Samuel Quininha (o mesmo arquiteto do Museu Marítimo de Ílhavo).

            Dentro da Loja podemos encontrar todo o tipo de velas – todas elas artesanais: velas de baptizado, aniversário, aromáticas (óleo misturado na massa total da cera), de culto, festivas, círios, decorativas, velas para castiçais ou mesmo encomendar velas totalmente personalizáveis. Para além de velas criam outros moldes e produtos em cera como presépios, santos ou outras figuras. Em termos de formatos encontramos de tudo: cilíndricos, mais grossos, mais finos, quadrados ou outra forma por encomenda. Ainda dentro da loja podemos observar um relógio de pêndulo em cima do arco que separa a loja da oficina onde trabalham 3 funcionários. Pormenores como os altos armários envidraçados que terminam em pinos ogivais que lembram o formato de uma chama ou a disposição das cores das velas fazem deste espaço um autêntico santuário para os amantes de velas tradicionais.

            Com mais de 200 anos de experiência a fabricar velas em Lisboa, a loja Casa das Vellas de Loreto mantém-se na família Sá Pereia na sexta geração e orgulha-se de manter o processo de fabrico artesanal. Um museu vivo de todo o tipo velas, memórias de uma Lisboa que dependia desta iluminação um deleite para os sentidos para quem aqui entra (cores, cheiros, tato da cera) e apenas esperemos que o negócio se mantenha por mais 2 séculos – das lojas mais antiga de Lisboa.

6. Farmácia Barreto

Foi fundada em 1876 por um italiano, com o nome de farmácia Francesa. O nome foi alterado em 1880 em tributo a Carlos Garcia Barreto (fundador da Sociedade Farmacêutica Lusitana em 1834) numa altura que o termo farmacêutico não existia mas antes – ofício do boticário. A longevidade desta loja permitiu à farmácia Barreto ser um dos grandes contribuidores para a extraordinária coleção do Museu da Farmácia cedendo muitos objetos como rótulos, cerâmicas, peças de imobiliário ou antigas prescrições.

Uma loja que mantém a traça antiga com uma montra em cantaria, um amplo móvel de cerejeira escura na sala de atendimento, estantes e armários em gosto romântico-revivalista, fainça francesa do final do século 19 (1880), candeeiros em bronze, vidros altamente trabalhados sob o estuque do tecto. Uma exposição viva de materiais e produtos farmacêuticos antigos nas várias salas que compõem este espaço como máquinas registadoras antigas, balanças, frascos e rótulos. Ter em atenção ao pormenor do espaço das salas: sala da estufa; sala de manipulação; sala do segredo (produção de fórmulas farmacêuticas); sala da quarentena e casa-forte do álcool. Existência de um consultório médico.

            Desde a sua abertura por Maria Mendes Tedeschi que a loja teve vários proprietários, passou por dificuldades financeiras e dívidas. Os credores que compraram a loja simplesmente pela carga simbológica do espaço e mantiveram-na fechada durante vários anos até 1986, ano em que José Pedro Graça da Silva comprou a farmácia com o objetivo de manter a tradição histórica e decorativa que a caracteriza.

7. A Carioca

Desde 1936 que a Carioca exala os melhores odores dos cafés e chás que conferem um ambiente exótico ao espaço, marcado por traços de Art Decó, moinhos de café antigos, pinturas sobre madeiras de inspiração oriental, tão ao gosto dos anos 20.

Foi fundada por Isidoro Teixeira e até ao início dos anos 90 permaneceu na mesma família quando foi comprada pela firma torrefacção Negrita Cafés onde é realizada a torra do café merecendo da parte da empresa uma marca própria que superou o próprio nome Negrita em popularidade e reconhecimento – o Café Carioca!

Desde a torra do grão até à moagem e embalamento, tudo é realizado nesta loja. Toda esta envolvência de cafés proveniente de vários países sobretudo vindos das antigas colónias portuguesas, o glamour da marca Carioca, a envolvência e a história da loja distinguiu este espaço de outros estabelecimentos do género na cidade de Lisboa.

A carioca depressa se tornou num ponto de encontro de amigos, família e mais recentemente turistas que procuram visitar este espaço singular, os seus vários tipos de cafés e conhecer a história por detrás de cada um. Este espaço não vive apenas do café, também vende vários tipos de chá, mais de 80 variedades diferentes incluindo o chá “Gorreana dos Açores”, único na europa! Vende também vários tipos de chocolate, bolachas e outros doces.

            Entrar na Loja é uma experiência com toda uma art deco, um estilo de anos 20, maquinaria original e uma envolvência oriental precisamente pelo chá ser um dos produtos que inicialmente tinha maior expressão e este vir do oriente.

8. Barbearia Campos

É a mais antiga Barbearia do país, desde 1886 a aprumar barbas, bigodes e cabelos de gente anónima e de muitas figuras que deixaram o seu nome da história de Portugal como Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Aquilino Ribeiro, Almada Negreiros, Vasco Santana, os últimos reis de Portugal e muitos outros ou não estivesse situada no Chiado, zona nobre e chique de Lisboa.

Dentro da loja podemos observar os vários quadros com estas personalidades que aqui vinham com regularidade e vários instrumentos antigos usados na barbearia no final do século 19 e início do séc. 20 em exposição – um verdadeiro museu vivo de antigos utensílios de barbearia.

            O negócio é familiar desde a sua fundação por José Augusto de Campos numa altura que ainda se designava a uma barbearia pela palavra “Cabelleireiro” com dois L´s – Podemos observar essa característica fora da Loja, no topo da porta de entrada.

             A loja foi delicadamente e subtilmente renovada em 2016 quando o prédio sofreu obras de reabilitação durante 18 meses. Manteve-se a traça original, a decoração antiga, os moveis restaurados, a bancada e os lavatórios em mármore, tectos estucados e o chão original de mosaico. Muitos dos aparelhos que vemos no seu interior como as cadeiras de barbeiro do início do século 20 (cromadas e com o apoio para os pés decorados com arabescos) ou os espelhos italianos.  Acima de tudo a barbearia Campos mantém a vontade de servir todos os homens que desejam arrumar o seu cabelo, barba ou bigode.

9. Caza Havaneza

 

Os inconfundíveis charutos cubanos e toda a espécie de tabacos podem ser encontrados na Casa Havaneza, cuja história remonta a 1864 embora haja provas que podia funcionar desde 1855 com antigos anúncios a referenciar o negócio e a loja.

Aqui encontram também habanos premium, mini cubanos, e outras marcas emblemáticas como dos charutos Cohiba, Montecristo, Romeo y Julieta, Mokambo ou Villiger, cigarrilhas, cigarros fleur de Savane; e claro, todo o tipo de acessórios necessários ao ritual de fumar como mortalhas, isqueiros e cachimbos.

É a mais antiga tabacaria da cidade de Lisboa fundada por dois belgas negociantes de tabaco: Charles Vanderin e François Caen. O nome é o original – uma referência directa a uma cidade e a um país de onde provém possivelmente o melhor tabaco e charutos do mundo – Cuba. Mais de 150 anos depois da sua abertura, a cidade de Havana e Cuba continuam a ser sinonimo de qualidade e prestígio neste tipo de produto e felizmente o mesmo podemos afirmar com este espaço, o seu atendimento e qualidade dos seus artigos.

O negócio é depois transpassado para o banqueiro Henry Burnay detentor do Banco Burney que mantém a identidade da marca, expande o negócio, compra várias lojas nos prédios adjacentes e contrata mais pessoas para a tabacaria confiando mais tarde a gestão do estabelecimento aos seus dois caixeiros: Domingos Monteiro e Eduardo John mas mantendo o Banco Burney proprietário da Casa Havaneza mesmo depois da morte de Henry Burney em 1909.

Durante todo o século 19 a Casa Havaneza detinha o exclusivo da importação de vários tipos e marcas de tabaco (tabaco de onça), charutos (charuto de vintém) ou papel para tabaco (Zig-Zag). Nesta altura os preços andavam à volta de 60 réis por charuto, por isso eram um produto caro na altura e apenas acessível a quem tinha posses –  famosos escritores, pintores, empresários e claro, políticos.

Eça de Queirós era um dos clientes habituais desta loja no final do séc 19 que menciona a Casa Havanesa nas suas obras mais conhecidas.

 

Nos anos 50 do século 20 o espaço é consideravelmente reduzido, passa por várias transformações, diferentes estilos de gestão e novas políticas comerciais (como a representação exclusiva dos Habanos de cuba através da embaixada mantendo uma posição privilegiada no negócio do tabaco) bem como profundas renovações do seu espaço interior e exterior – alterações na fachada, novos vitrais e materiais deram vida à Casa Havaneza como o bronze dourado e o mármore.

Apesar de um público maioritariamente masculino a Casa Havanesa passa a vender peças de cristais, porcelanas francesas, pedras e madeiras preciosas, estojos em coro numa tentativa de apelar a um publico feminino.

Nos anos 70 a casa Havaneza volta a sofrer remodelações pelo arquitecto Nuno Corte Real e 15 anos mais tarde é inaugurada a segunda casa Havaneza no centro comercial Amoreiras – o primeiro grande centro comercial da cidade de Lisboa numa clara tentativa de expandir a marca e o negócio. Mais tarde em 1998 abriu outra loja no centro comercia Colombo, em 2009 a loja original sofre as últimas renovações e em 2012 abriu na cidade do Porto uma casa Havaneza na zona do Bessa. Com mais de um século e meio a casa Havaneza está repleta de excelentes memórias sendo um exemplo de uma “loja com história” que se adaptou no tempo, nas necessidades dos consumidores – criando clientes e mantendo antigos – destacando-se neste walking tour como uma marca que se expandiu para levar os seus charutos únicos, tabacos e acessórios a outras zonas do país.

10. A Brasileira

Adraiano Telles, jovem nortenho com apenas 12 anos vai para o Brasil onde enriqueceu com o negócio do café de Minas Gerais. Quando regressou ao Porto abriu a “Casa Especial do Café do Brazil”. Das cinco casas no Porto (Rua Sá Bandeira) Braga, Sevilha, Lisboa-Rossio e Lisboa-Chiado apenas esta última chegou aos nossos dias, fundada em 1905. Uma verdadeira escola que ensinou os portugueses a beber e a apreciar café e onde nasceu a palavra “bica”.

Foi um centro de tertúlias e conspirações por onde passaram nomes grandes da nossa história literária e política – entre eles Fernando Pessoa, imortalizado na estátua em bronze de 1988 sentada na mesa da esplanada da Brasileira que corre o mundo nas câmaras dos turistas – por isso mesmo, a Brasileira é talvez das lojas mais fotografadas e conhecidas em Portugal não apenas pelos portugueses, mas também estrangeiros que visitam a capital portuguesa. É considerado o local mais emblemático da zona do chiado.

Temos que admitir que Adraiano Telles foi um visionário no que toca a técnicas de marketing e promoção do seu negócio/produto apesar de não ter vingado como gostaria nas cidades de Porto, Braga e Sevilha onde as suas lojas acabariam por fechar (os espanhóis que expressaram o seu descontentamento com o café com as frases: “malo gusto, malo odor”). Criou um jornal gratuito “A brasileira” que entre outros temas da actualidade escrevia sobre o café, os seus benefícios, o seu processo de torragem, etc. Convidava amigos a preencherem a esplanada para criar confiança a outras pessoas entrarem e pedirem uma bica e durante 10 anos oferecia a bebida a quem passava. E a grande revolução foi a venda de café em chávena – algo único no país.

A Expressão “a bica” popularizou-se na cidade de Lisboa e muitos pensam estar ligado ao objeto da cafeteira que faz jorrar o líquido do café na chávena – a bica (a pequena torneira). Outra versão é que Adraiano telles adotou uma estratégia de marketing para convencer os portugueses a beber o café com açúcar fixando cartazes que dizia: “Beba isto com açucar”! – B.I.C.A

É possível que o costume de pedir um pastel de nata com um café tenha tido origem na Brasileira quando esta começou a vender o doce típico da capital. Outro rumor é a arte de beber uma bica enquanto lemos o jornal – o quiosque centenário à frente da cafetaria pode ter iniciado essa cultura.

De referir também as diversas renovações que a Brasileira sofreu nos últimos 100 anos – Em 1922 renovou a fachada e o interior em estilo Art Déco usando muita madeira, mármore, grandes espelhos e cadeiras talhadas.

Em 1925 as paredes no interior da loja foram decoradas com quadros de artistas modernistas como Almada Negreiros, Eduardo Viana, Stuart Carvalhaes, José Pacheko entre outros pintores que eram clientes assíduos daquela loja. Na altura houve várias críticas quanto ao estilo progressista que a loja estava a tomar enquanto outros chamavam A Brasileira – “o primeiro museu de arte moderna na cidade de Lisboa”. Nos anos 70 foram substituídas por novas pinturas adoptando uma posição de renovar o espaço com obras de arte pertencentes às novas gerações de pintores portugueses que se identificavam com o espaço (o mesmo aconteceu nos anos 90).  

No geral exploramos um espaço que mantém a sua identidade, o gosto pelo café e esperemos que continue a ser o lugar mais icónico da zona do Chiado – sinal de que o café se encontra de boa saúde!

11. Pastelaria Benard

Élie Benard deu o seu nome à “patisserie” que fundou em 1868 na rua do Loreto uma famosa e aristocrática casa de chás no século 19. Em 1902 a loja mudou-se para a actual morada na rua Garret onde existia uma pastelaria chamada “Gratidão”. Interessante saber que a partir de 1926 se começou a usar o nome “pastelaria” por via de um imposto lançado sobre nomes estrangeiros de casas comerciais – de cerca de 500 reis. A ideia da Câmara Municipal de Lisboa era atenuar a moda de letreiros franceses e ingleses que estavam a dominar a capital portuguesa.

A pastelaria Benard começou a ficar conhecida pelas broas de fabrico caseiro, mas foi quando apostaram no fabrico de croissants que a pastelaria se tornou num marco da cidade de Lisboa – croissants simples, com chocolate, marmelada, com doce de ovos ou de morango que vende até hoje!

O espaço oferece também salas para refeições – Da longa história da Benard consta o jantar oferecido à Rainha Isabel II, em 1957, quando esta visitou oficialmente Portugal entre 18 e 23 de fevereiro desse mesmo ano. É possível ver as loiças usadas nessa gala no interior da loja.

Nos início dos anos 80 a mãe da actual proprietária – Maria Augusta Montes – compra a loja que estava em decadência e com baixa popularidade sobretudo depois do 25 de Abril – para dar uma nova vida a um espaço que tanto gostava e tinha feito parte do seu crescimento. Nenhum banco aceitou financiar o projecto, considerando na altura que não tinha nenhum interesse turístico. Porém, com muito esforço realizou obras, modernizou o espaço e cerca de 2 anos depois, em 1983, reabre as portas com uma nova decoração, espaços para refeições ampliados e uma carta recheada de pratos típicos portugueses sem nunca esquecer os croissants como estandarte da loja aos pequenos-almoços e lanches – os famosos croissants Benard com vários sabores detém uma receita secreta que só a família sabe! De destacar os fantásticos pasteis de nata, os vários salgados e a carte de chás. Apesar de não ser uma cafetaria/ restaurante tão conhecida como a Brasileira os seus croissants são sem dúvida os mais emblemáticos da cidade de Lisboa.

12. Paris em Lisboa

Foi a primeira loja de moda feminina parisiense que abriu em Lisboa em 1888, no mesmo ano em que nasceu Fernando Pessoa. Foi o grande símbolo na capital portuguesa do processo de libertação da mulher e da sua afirmação numa sociedade em transformação. Há 132 anos que a loja se mantém na mesma família que vai na 4ª geração numa contínua capacidade de adaptação a cada época.

No final do século 19 a cidade de Lisboa lentamente vai assimilando as novas modas e ideias progressistas provenientes da europa central em particular de França e a sua capital – Paris. Direi que, passeia-se e mostra-se nas lojas de Lisboa. Tal como vimos na loja anterior houve uma ideia generalizada de que adoptar nomes franceses daria um ar de classe porque Paris era e é uma cidade de classe e glamour. O mesmo aconteceu com roupa direcionada para mulheres de influência francesa que rapidamente prendeu a atenção da classe média alta e alta com posses para vestir as novas tendências e padrões femininos. A loja tornou-se um sucesso por representar uma nova geração de mulheres mais livres, com mais escolha, roupa mais atrevida, mais cosmopolitana.

As mulheres encontravam um espaço que se identificavam e produtos que nunca viram. Podia-se encontrar de tudo, vestidos, chapéus femininos; tecidos em lã, veludos, mas também roupa de cama, pijamas e fatos de banho. A qualidade dos materiais em particular os veludos, sedas e tecidos de lã tornaram-se numa imagem de marca de “Paris em Lisboa”.

A loja sempre teve 3 pisos, o térreo e o último são originais, o do meio foi inicialmente um atelier onde 60 costureiras chegaram a trabalhar com a presença de uma modista francesa – onde se desenhavam peças, se produziam e etiquetavam. O negócio familiar foi crescendo e era importante não perder o “barco do vanguardismo” que tanto caracterizava este espaço – no início do século 20 foram introduzidos pela primeira vez grandes coleções de perfumes, artigos de beleza e outras peças nunca vistas à venda em Portugal – meias de vidro que rapidamente se tornaram um sucesso. Foi introduzida uma maior variedade de roupa masculina. Nos anos 50 foram apresentadas malhas e nos anos 70 uma nova ala de prontos a vestir. Da mesma forma que se introduziam novos produtos outros deixavam-se de vender como os pedidos de tecidos a metro que deixaram de ter expressão. Em 2006 a loja sofre uma das maiores renovações com o fim da oficina no piso intermédio, passando a ser espaço de venda de produtos. Para além dos produtos expostos é possível fazer peças por encomenda, mas com a massificação do consumo, centros comerciais e novas marcas internacionais a preencherem as ruas de Lisboa, hoje são os lençóis e as toalhas o motor económico desta loja.

13. Livraria Bertrand

É a livraria mais antiga do mundo em funcionamento desde 1732. Por esta razão a Livraria Bertrand do Chiado tem lugar no livro dos recordes – o Guiness Book.

 Foi fundada pelo livreiro francês Pedro Faure quando a loja ainda estava instalada na Rua Direita do Loreto e se chamava “Livraria Pedro Faure.” Em 1742 convidou Pierre Bertrand, outro livreiro francês a fazer parte do negócio alterando o nome para: “Pedro Faure & Bertrand”. Pedro Faure morre em 1753 removendo o seu nome do título da loja.

A loja foi destruída pelo terramoto de 1755 e temporariamente instalou-se junto da Capela de Nossa Senhora das Necessidades num local chamado “Senhor Jesus da Boa Morte”. No contexto da reconstrução da cidade a livraria mudou-se em definitivo para o lugar onde está hoje desde 1773.

 

No final do século 18 o catálogo da livraria Bertrand incluía cerca de 200 títulos e pela primeira vez podia-se encomendar livros de outras partes do país e também de outros países. Durante todo o século 19 a livraria mantém-se na família Bertrand. Aqui entraram grandes nomes da literatura portuguesa como Eça de Queiróz, Antero de Quental ou Ramalho Ortigão.

Durante o século 20 passa por sucessivos proprietários, mas sempre em clara expansão com a abertura da livraria Bertrand no Porto, direcionou-se para outras cidades no país, passou a ter tipografia própria transformando-se na maior distribuidora de livros estrangeiros em Portugal. Em 2010 o grupo editorial Porto Editora adquiriu as lojas e hoje temos mais de 60 livrarias Bertrand em todo o país.

Hoje a livraria original é visitada por milhares de turistas todos os anos que procuram conhecer esta bonita história de sucesso, o espaço glamoroso do século 18, a livraria mais antiga em funcionamento e acima de tudo – o sonho de um livreiro francês que deseja aculturar um povo desinstruído com aquilo que o apaixonava – livros.

14. Luvaria Ulisses

A luvaria Ulisses foi fundada por Joaquim Rodrigues Simões, antigo vereador da cidade de Lisboa em 1925 e encontra-se no mesmo e pequeno espaço, como uma pérola de valor elevado e bem localizado na rua do Carmo.

Joaquim Simões tinha como objetivo criar luvas de alta qualidade recorrendo às melhores matérias primas com foco nas elites da época – políticos, artistas, escritores, etc. Era ele que as desenhava, produzia na sua oficina (localizada na Travessa de Almada) e comercializava na loja.

O ritual é sempre o mesmo: a luva é aberta dedo a dedo por uma pinça de madeira, amaciada com pó de talco, a cliente ou o cliente pousam o cotovelo numa almofada que ali está sempre ao balcão e experimentam a luva, fazendo alterações até ser a luva ideal para aquela pessoa. Ainda hoje as luvas são totalmente personalizáveis (com botões, bordados, adornos, diferentes cores etc).

             A popularidade de usar luvas começa a cair a partir dos anos 70 e muitas luvarias começam a desaparecer. Mas a luvaria Ulisses manteve-se firme e continua a calçar as mãos dos clientes que não dispensam o bom gosto e o requinte de um atendimento muito personalizado. Hoje encontramos vários tipos de luvas, diferentes designs que apelam a um publico mais jovem, mas também luvas mais clássicas. É a última loja do país com venda exclusiva de luvas e com todos os processos de fabricação inalterados do início do século 20.

15. Joalharia Carmo

Mesmo ao lado da Luvaria Ulisses encontramos a Joalharia do Carmo – uma loja e uma marca. É aberta em 1924 por Alfredo Pinto da Cunha, o seu irmão e o seu cunhado e até hoje permanece na mesma família. O proprietário hoje é Alfredo Sampaio filho do irmão do fundador que trabalha na loja à mais de 50 anos e é ele que desenha e produz muitas das peças que vemos em exposição.

Nos primeiros anos da Loja o negócio focava-se nas joias (como colares, brincos, rubis ou anéis) e peças de prata decorativa (salvas, pratos cobertos, faqueiros, etc.)  Hoje o foco está na filigrana tradicional portuguesa feitas de ouro e prata – muito devido à envolvência turística desta zona da cidade que procura peças únicas, trabalhadas à mão, diferentes, 100% portuguesas que caracterizem a cidade e o país.

A icónica fachada Arte Nova dos anos 20 com duas entradas não deixa ninguém indiferente. O mobiliário ainda é o mesmo dos primeiros dias. Ainda estão presentes os expositores e as portas em mogno escuro talhado, a espaçosa mesa central de tampo em mármore, os lustres em cristal Baccarat, as escadas de caracol e os paramentos revestidos por lambris de madeira a meia altura e expositores em madeira e vidro.

Requinte e elegância são as palavras de ordem neste espaço que transpira qualidade e tradição.

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1 Comentários
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António Tomás

Couple Traveller

Adorámos este passeio. Não faziamos ideia da história fantástica que estas lojas têm.
Recomendamos vivamente!

5 de Setembro, 2020
Agora mesmo, 6 clientes estão a ponderar em reservar este tour!
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